Migrando de Ambiente (literalmente)

Desta vez o post não é nada técnico. Vou contar um pouco o que aconteceu na minha carreira no primeiro semestre de 2017.

Em novembro de 2016, recebi um telefonema de um conhecido com uma oportunidade para trabalhar em outra empresa. De imediato não me interessei muito, pois estava em um emprego que gostava muito e tinha muito orgulho do ambiente que eu trabalhava. Mas esse interesse mudou quando escutei a proposta do projeto que era a migração de TODO ambiente para o Azure. Que sonho!

Na primeira conversa, foi informado que um dos motivos da minha contratação era para ajudar na migração. Já fui logo avisando que eu não tinha experiência NENHUMA com nuvem e que era um mundo totalmente novo. Sempre fui DBA de Infra, já havia participado de migrações de servidores de SQL Server, mas nunca para o Azure. Então ao entrar nessa nova empresa eu teria o seguinte desafio: Migrar as bases de SQL Server para o Azure (Iaas) e migrar a versão do SQL Server de 2012 para 2016.

  • Motivação

Muitas pessoas trocam de empregos por basicamente um motivo: Salário. Mas neste meu caso, salário não era o “incentivo”, pois fui para ganhar menos ainda, então antes de tomar a decisão, tive que colocar na balança se os benefícios iriam ao menos equalizar as finanças, pois eu estava de mudança (saindo da casa dos pais para morar sozinha) e todo planejamento eu havia feito com o salário anterior. Sim, neste momento das contas, eu queria muito ir para esta empresa com o intuito aprender novas coisas (AZURE) e participar desse projeto.

  • Zona de conforto

Eu estava há mais de três anos em meu antigo emprego, já conhecia bastante o ambiente que era super estável e crítico, já tinha domínio das atividades então é claro que havia um risco. É difícil sair de um emprego no qual você gosta, tem amigos e um ótimo ambiente de trabalho e profissionais excelentes para outro emprego cuja motivação foi o projeto. E se esse projeto não saísse do papel?

  • Desafio

Acredito que todo profissional de T.I. deve procurar novos conhecimentos e nesse momento estava batendo na minha porta uma excelente oportunidade, então eu tive que agarrar essa oportunidade. Confiei nas propostas oferecidas e fui empolgada para estes novos desafios.

Em dezembro de 2016 aceitei a oferta e combinei meu início para 18/01/2017. Foi uma boa data, pois já estava com minhas férias marcadas para início de jan/2017 e o bom é que comecei no novo emprego com as baterias todas carregadas!

  • Ambiente diferente

Nos primeiros contados com o novo ambiente, percebi uma realidade totalmente diferente. Antigamente eu trabalhava em um ambiente totalmente transacional e neste novo ambiente a maior característica é processamento de dados e análises de dados. No ambiente antigo era tudo muito segregado e eu não escrevia uma linha de código de negócios (nem tinha contato), já no ambiente novo a equipe de banco está diretamente envolvida com programação em T-SQL na parte negocial. Fora a diferença de infra que antigamente trabalhava em um local com um datacenter com equipamentos TOP de linha e neste ambiente novo eu iria administrar bases de dados em um datacenter de terceiro, onde toda alteração deveria atender à regras do parceiro. Enfim, mundos totalmente diferentes que eu deveria me adaptar para trabalhar.

Fui me acostumando com este novo ambiente, estranhando algumas coisas, apanhando com outras, mas o que eu mais estranhava era a falta de “liberdade” com os nossos servidores. Logo eu que era acostumada a estar na equipe de infra, troquei de empresa e, além de não ficar na equipe de infra desta empresa, a infra não era de domínio nosso.

Então vamos direto ao que interessa. Neste ambiente tinha muita coisa para mudar, muita coisa para colocar nos padrões, nas melhoras práticas, mas para fazer isso no ambiente em que estávamos era muito custoso, demorado e difícil. A impressão que eu tinha é que era muito engessado. Não tinha flexibilidade de criar um disco para fazer alguma manobra ou até mesmo de criar uma máquina temporária para realizar mais manobras e adequações.

Entrei em 18/01/2017 e o projeto começou a ser desenhado desde então, mas começou de fato a ser planejado em março de 2017. Como eu havia dito, eu não tinha domínio e nem estudo suficiente para “comandar” uma migração de todo o ambiente para o Azure. Para minha sorte, esta empresa realmente é especial. Fui informada que havíamos um consultor para nos ajudar neste trabalho e para maior sorte ainda este consultor era um conhecido. Uma pessoa que domina do assunto e que eu já havia uma confiança muito grande, ainda mais pelas suas contribuições na comunidade de SQL Server. Acho que alguns de vocês já devem ter ouvido falar do Luan Moreno (hahahahahaha MAS É CLARO QUE SIM! ). Cara! Consultoria maravilhosa. Desde o início foi uma ótima parceria, tanto na empolgação pelo projeto, quanto na organização e conhecimento. Já nos primeiros dias foi me despejando um monte de materiais e ferramentas novas para que eu estudasse e que essa migração desse certo. Enfim, acho importante pontuar isso aqui, pois se não fosse uma empresa tão especial quanto esta é, eles poderiam muito bem não contratar uma consultoria e fazer com que eu me virasse nessa migração.

Foram três meses intensos, de muito estudo e planejamento para logo que tivéssemos alguma oportunidade essa migração acontecesse. E essa oportunidade foi exatamente no feriado do dia 15/06/2017. Tínhamos 5 instâncias a serem migradas com um total de 200 bases mais ou menos. A nossa proposta foi migrar do jeito que estava, mas claro que aproveitei para padronizar algumas coisas já que criamos os servidores na nuvem do zero.

A migração de fato iria começar dia 15/06, mas aproveitamos e pegamos uma instância menor e menos crítica e a migramos no dia 09/06, já para saber onde estávamos pisando e começar a explorar o mundo novo. Nossa maior preocupação era o link e a taxa de transferência dos dados para a nuvem e por isso começamos a transferi-los no dia 12/06 com backups full das bases maiores e depois enviar os diferenciais. Não pensem que essa estratégia de migração foi decidida de um dia para o outro. Foram muitas discussões com a equipe de infra e com os consultores para ver qual era a melhor forma de migração para o nosso ambiente.

A migração de fato começou dia 14/06 após às 19h. Então foram três dias intensos para fazer tudo acontecer e dar certo. No primeiro dia trabalhamos da tarde do dia 14 até após as 03h da manhã do dia 15/06. Voltamos para casa, descansamos e antes das 13h do dia 15/06 já estávamos de volta continuando a migração saindo somente as 04h da manhã do dia 16/06 com tudo migrado, faltando vários ajustes a ser realizados para o dia seguinte (entende-se em algumas horas seguintes), mas já tínhamos todas as instâncias, bases e dados migrados. Agora era fazer tudo funcionar no novo ambiente. Tivemos o cuidado de deixar os servidores com os mesmos nomes, mas a maioria das aplicações apontavam pelo IP fazendo necessário realizar a configuração de quase todos os apontamentos.

Quando se tem uma equipe foda, o resultado só pode ser mais foda ainda. No dia 18/06 nosso ambiente todo já estava na nuvem. Este trabalho foi um trabalho de parceria com todos da equipe de tecnologia. Desde os consultores, equipe de infra que foi o tempo todo atenciosa e solícita, equipe de dev nos ajudando a testar e reapontar as aplicações e claro, toda a equipe de banco que desde o início passou todas as informações necessárias, deu todo suporte que precisei já que era nova no ambiente e fazendo com que todas as rotinas funcionassem corretamente.

Tem um pouco mais de um mês que estamos na nuvem, hoje já está tudo mais estável, temos maior liberdade com o nosso ambiente. Agora podemos dizer que o ambiente é nosso (my precious). Tudo que eu preciso hoje, basta pedir para nossa equipe de infra que ela tem liberdade de fazer.

Gollum

Uma coisa que levo nessa mudança toda é: Vale a pena arriscar, vale a pena sair da zona de conforto, vale a pena estudar. O que eu sei hoje é muito maior do que eu sabia em Jan/2017. A curva de aprendizagem foi enorme para um curto período de tempo.

Temos muito ainda que melhorar, que ajustar, temos muitos projetos a implementar e sei que se depender de mim, ficarei muito tempo nesta empresa, pois agora vejo que não foi apenas um projeto de migração para o azure e fim. Foi um projeto de migração para o azure para que possamos realizar muitos outros projetos com o poder que a nuvem nos oferece!

 

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